PortuguêsEspañolEnglish
© António M. Correia/www.bragavirtual.com. All rights reserved.

Sete Fontes

A arte, o engenho e a vida

Longitude: -8.404020667     Latitude: 41.568698581

As Sete Fontes, tal e qual hoje se apresenta, constitui uma Obra Hidráulica de meados do século XVIII destinada a promover a captação, condução e abastecimento de água à cidade de Braga. Situada nos arredores, no lugar do Areal de Cima – Freguesia de S. Vítor - , junto à Geira romana (via XVIII), admite-se que os mananciais aí existentes já alimentassem Brácara Augusta com a preciosa linfa, pelo que a datação do presente conjunto patrimonial se estende muito para além da expressão que hoje ostenta. Na verdade, até à entrada do sistema de captação do rio Cávado, em 1914, as Sete Fontes constituiria a principal fonte de abastecimento à cidade. Encontrando-se ainda hoje em pleno funcionamento as suas minas garantem água a quase uma centena de penistas1 e a todos os que a ela diariamente demandam.

O sistema que podemos apreciar terá, no essencial, sido construído entre 1744 e 1752, sob a égide do Arcebispo D. José de Bragança (1741-1756), sabendo-se, todavia, que o seu antecessor, D. Rodrigo da Moura Telles (1704-1728), mandara aí proceder a numerosos trabalhos. Também D. Frei Caetano Brandão (1790-1805) terá ordenado a abertura da Mina dos Órfãos (1804), para abastecer a instituição homónima que fundou.

O complexo das Sete Fontes é composto por um grupo de minas de água e estruturas edificadas que se estendem por cerca de 3 500mts, segmentadas em 14 galerias subterrâneas e 6 pontos de junção, num conjunto, todo ele edificado em pedra. Nele sobressaem as Mães de Água, expressão da arquitectura barroca, pela estrutura cilíndrica provida de cúpula abobadada, rematadas por cornijas circulares e encimadas por pináculos. Em cada uma dos extremos são visíveis as armas heráldicas do mecenas, profusamente lavradas em granito.

A obra hidráulica é um exemplar único da engenharia setecentista portuguesa, manifesta entre outros elementos: na concepção das galerias e das câmaras de visita; na articulação do sistema, em função dos caudais e da topografia do vale onde está instalado; e nos tipos de encanamento subterrâneo e aéreo, que exibem um trabalho delicado no seccionamento escavado nos blocos de granito, que se encaixam entre si. Por aí desliza a água em tramos que chegam atingir mais de uma centena de metros entre os pontos de encontro. São ainda de notar as pias de centrifugação e os respiros que rematam os pontos de ruptura de nível.

Das minas originais do sistema brotam ainda 13 nascentes de água de excelente qualidade, as quais estão à guarda da empresa municipal de abastecimento. Esta tem por missão proceder à análise da qualidade das águas, bem como disponibilizar dois guardas de águas que asseguram a manutenção e limpeza do sistema. As Sete Fontes constituem um recurso aquífero subterrâneo inestimável, situado dentro de espaço urbano, e que, pelas suas características, configura-se como uma importante mais-valia num plano estratégico para cidade de Braga. Recorde-se que a água dos fontenários dos Largos do Paço e Carlos Amarante procedem daqui.

Em 27 de Março de 1995, a ASPA – Associação para a Defesa, Estudo e Divulgação do Património Cultural e Natural - solicitou ao IPPAR - Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico - a classificação patrimonial das Sete Fontes, tendo o respectivo processo sido iniciado no dia 18 de Abril desse mesmo ano. Desde então, vai para oito anos, este conjunto do património bracarense ficou provisoriamente abrangido por uma diversidade de medidas cautelares de protecção, que deveriam garantir, a sua classificação monumental. No entanto, os terrenos onde estão instaladas as Sete Fontes, situados em área de expansão urbana, têm vindo a ser adquiridos por empresas ligadas ao sector imobiliário sem que, até ao momento, se conheçam quaisquer projectos ou planos de pormenor destinados a preservar e a reabilitar o conjunto. Neste sentido, espera-se que a todo o momento seja desbloqueado este impasse e que a sua salvaguarda, enquanto testemunho incontestável da arte, da técnica e da vida, possa ficar garantido para o usufruto das futuras gerações.


[1] – O usufrutuários dos ancestrais direitos à água, que era contada em "Penas" (uma medida da secção transversal do cano).

© Miguel Melo Bandeira - Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho.

Google Map/Galeria de fotos